quarta-feira, 27 de maio de 2015

Os dois lados da Internet

É impossível estar a estudar Cibercultura e não ficar impressionado com o impacto que tiveram dois vídeos que lançados na internet nestas semanas. Um sobre agressões a um rapaz da Figueira da Foz, outro sobre as agressões de um polícia a um adepto do Benfica, à frente do seu pai e dos seus filhos.

Nos dois casos conseguimos ter a certeza de que não havia possibilidade de se fazer justiça se as câmaras não estivessem lá, a filmar, naquele momento. E que tão importante como as câmaras foram as redes sociais, que fizeram com que os filmes fossem vistos milhares e milhares de vezes, criando ondas de indignação online e offline.

Este poder de amplificação nem sempre é positivo. Há grupos que se formam para mostrar solidariedade com as vítimas, mas outros que têm como objectivo apelar à vingança e à “justiça” feita pelas próprias mãos e não pelos tribunais.

Seja como for, o primeiro grupo é maior e, pelo menos nestes dois casos, foi o que conseguiu provocar a mudança. É espantoso ver a sociedade a manifestar-se nas redes sociais e a fazer com que as coisas aconteçam offline. Com que os ministros comentem, com que as polícias investiguem, com que as pessoas que têm autoridade se preocupem.

Este é o poder benéfico da internet e que nos transporta, também, para aquilo que Inês Amaral refere em Inês Amaral, em “Comunidades virtuais: activismo e militância num novo espaço público”): as potencialidades do ciberespaço como “um meio de comunicação e também de acção, tanto por parte de indivíduos como das comunidades virtuais”.

 “Estas redes sociais – sejam utilizadas de forma colectiva ou individual remetendo para um grupo – são criadas em torno de interesses comuns e, com as potencialidades técnicas da rede, permitem tomar acções numa nova esfera pública, com uma audiência à escala global. E, claro, permanentemente observada e noticiada (ainda que de forma selectiva, como seja a mediatização dos protagonistas da notícia) pelos media tradicionais”, continua Inês Amaral. Foi exactamente o que aconteceu nestes dois casos, com os jornais tradicionais a fazerem eco do que se passava nas redes sociais.

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