É interessante em relação ao atentado em Paris se o ciberespaço não existisse. Quando é que o mundo saberia do atentado? Talvez algumas horas depois. Não seriam pessoas comuns, como nós, a dar as notícias, mas as rádios e as televisões, os jornais.
Saberíamos menos, com menos pormenor, com menos emoção. O que aconteceu talvez até passasse despercebido. Se partilhássemos a nossa opinião era com a família, com os amigos, os colegas. Mesmo que nos indignássemos nunca seríamos ouvidos por tantas pessoas e nunca ouviríamos a opinião de tantas pessoas. Nunca tanta gente se encontraria nas ruas, saindo do espaço online para o espaço offline.
“As novas redes sociais na rede, derivados das potencialidades das comunicações mediadas por computador e dos chamados softwares sociais, remetem para activismo e militância. Tradicionalmente associados à área sócio-política, estes conceitos ganham no ciberespaço uma amplitude maior. As ferramentas da web permitem aos utilizadores transpor estas noções para a escala global, potenciando as relações interpessoais e a interacção social em torno de interesses e causas comuns” (Inês Amaral, em “Comunidades virtuais: activismo e militância num novo espaço público”).
Podemos concluir que neste caso as redes sociais permitiram amplificar as manifestações de cidadania (porque milhares de pessoas se manifestaram a favor dos direitos humanos) e dos protestos (contra o terrorismo). Mas também podemos ver estes acontecimentos de outra maneira: O objectivo dos terroristas é esse mesmo: provocar o terror. Se não soubessem que actuavam para tantas pessoas, graças ao ciberespaço, será que faziam os atentados?
Temos muitos exemplos de imagens de terror do “Estado Islâmico” nas redes sociais. Como as execuções ou a destruição de património histórico.
Ao mesmo tempo, também promovem a militância. É uma militância estranha para a maior parte de nós, porque se faz contra os direitos humanos, mas a verdade é que há jovens de todo o mundo a alistarem-se em movimentos como o Estado Islâmico. E como é que são recrutados? Precisamente através das mesma redes sociais.
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