Na sequência da leitura da
introdução do livro de Manuel Castells “Redes de Indignação e Esperança –
Movimentos Sociais na Era da Internet” decidi fazer um breve comentário.
Castells debruça-se sobre o impacto da internet e das redes sociais no mundo
atual. Admitindo colocar de lado as suas crenças fez uma análise e uma reflexão
acerca dos movimentos sociais em rede, nas plataformas digitais.
Num mundo devastado por crises,
por corrupção, por falta de esperança. Os ditadores podiam ser abalados pelas
pessoas que lhes obedeciam, mesmo que tivessem que sofrer. Todos eram
suspeitos, corruptos e mentirosos. O modo como se juntaram e reestruturam teve
início na internet, nas redes sociais. Um local onde as pessoas são livres de
se expressarem. Fora do controlo das empresas e do governo que sempre
“monopolizaram os canais de comunicação enquanto fundação do seu poder” (p.20).
Agora, qualquer pessoa de
qualquer idade ou género pode partilhar a sua opinião e fazer História. É o
modo como as pessoas partilham as suas emoções e as redes que criam entre si
que vai permitir que ultrapassem o medo, que vai gerar união e fazer com que
progridam, que não sejam intimidadas. Irão confrontar os detentores do poder
face às injustiças, à pobreza, à crise económica, à falta de democracia, etc.
O autor parte da premissa que
““as relações de poder são constitutivas da sociedade, porque aqueles que têm
poder constroem as instituições da sociedade de acordo com os seus valores e
interesses” (p.22). Poder que é exercido coercivamente ou pela construção de
significado nas mentes das pessoas através de mecanismos de manipulação
simbólica. Sublinha ainda que numa sociedade onde existe poder, também existirá
contrapoder, a necessidade das pessoas combaterem as instituições da sociedade
com o propósito de reclamar os seus interesses. Uma teoria bastante semelhante
à perspetiva do conflito de Karl Marx, a luta entre uma classe dominante e uma
outra.
Nesta introdução, Castells dá
enfâse a ao conceito que ele mesmo chama de autocomunicação de massas, o “o uso
da Internet e das redes sem fios como plataformas de comunicação digital”
(p.24). . A multiplicidade de emissores e recetores atinge um enorme potencial
quanto à transmissão de mensagens. A autocomunicação de massas é muito difícil
de ser controlada pelos governos e empresas e oferece aos atores sociais uma
plataforma onde as pessoas se poderão expressar livremente. Diz ser este o
motivo pelo qual os governos tanto temem a internet.
De facto, esta é uma plataforma
autónoma e é isso mesmo que permite que permite aos movimentos atingir a
sociedade, sem que os detentores do poder tenham o controlo da comunicação. Uma
forma quase instantânea de criar novas comunidades através de um mundo
tecnológico.
Será através da luta contra os
opressores, superando o medo e a ansiedade perante as ameaças incontroláveis,
que as pessoas irão lutar pelos seus interesses. Independentemente da génese
destes movimentos, estes são criados na maior parte das vezes com base numa
explosão emocional e num sentimento de empatia generalizado. Será então na luta
pela recuperação dos seus direitos, direitos que lhes foram retirados em prol
dos interesses de quem no poder se encontra, que irão permanecer juntas e manterem
vivo o sentimento de esperança.
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