quinta-feira, 21 de maio de 2015

Movimentos sociais em rede

Na sequência da leitura da introdução do livro de Manuel Castells “Redes de Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet” decidi fazer um breve comentário. Castells debruça-se sobre o impacto da internet e das redes sociais no mundo atual. Admitindo colocar de lado as suas crenças fez uma análise e uma reflexão acerca dos movimentos sociais em rede, nas plataformas digitais.

Num mundo devastado por crises, por corrupção, por falta de esperança. Os ditadores podiam ser abalados pelas pessoas que lhes obedeciam, mesmo que tivessem que sofrer. Todos eram suspeitos, corruptos e mentirosos. O modo como se juntaram e reestruturam teve início na internet, nas redes sociais. Um local onde as pessoas são livres de se expressarem. Fora do controlo das empresas e do governo que sempre “monopolizaram os canais de comunicação enquanto fundação do seu poder” (p.20).

Agora, qualquer pessoa de qualquer idade ou género pode partilhar a sua opinião e fazer História. É o modo como as pessoas partilham as suas emoções e as redes que criam entre si que vai permitir que ultrapassem o medo, que vai gerar união e fazer com que progridam, que não sejam intimidadas. Irão confrontar os detentores do poder face às injustiças, à pobreza, à crise económica, à falta de democracia, etc.

O autor parte da premissa que ““as relações de poder são constitutivas da sociedade, porque aqueles que têm poder constroem as instituições da sociedade de acordo com os seus valores e interesses” (p.22). Poder que é exercido coercivamente ou pela construção de significado nas mentes das pessoas através de mecanismos de manipulação simbólica. Sublinha ainda que numa sociedade onde existe poder, também existirá contrapoder, a necessidade das pessoas combaterem as instituições da sociedade com o propósito de reclamar os seus interesses. Uma teoria bastante semelhante à perspetiva do conflito de Karl Marx, a luta entre uma classe dominante e uma outra.

Nesta introdução, Castells dá enfâse a ao conceito que ele mesmo chama de autocomunicação de massas, o “o uso da Internet e das redes sem fios como plataformas de comunicação digital” (p.24). . A multiplicidade de emissores e recetores atinge um enorme potencial quanto à transmissão de mensagens. A autocomunicação de massas é muito difícil de ser controlada pelos governos e empresas e oferece aos atores sociais uma plataforma onde as pessoas se poderão expressar livremente. Diz ser este o motivo pelo qual os governos tanto temem a internet.

De facto, esta é uma plataforma autónoma e é isso mesmo que permite que permite aos movimentos atingir a sociedade, sem que os detentores do poder tenham o controlo da comunicação. Uma forma quase instantânea de criar novas comunidades através de um mundo tecnológico.


Será através da luta contra os opressores, superando o medo e a ansiedade perante as ameaças incontroláveis, que as pessoas irão lutar pelos seus interesses. Independentemente da génese destes movimentos, estes são criados na maior parte das vezes com base numa explosão emocional e num sentimento de empatia generalizado. Será então na luta pela recuperação dos seus direitos, direitos que lhes foram retirados em prol dos interesses de quem no poder se encontra, que irão permanecer juntas e manterem vivo o sentimento de esperança. 


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